A Sala de Aula, por Maria Filomena Mónica

sala de aula

Sinopse

Em 1974, perdemos uma oportunidade de oiro de reformar a escola. Seja como for, continuo a pensar que, se queremos uma escola pública decente, temos de lutar por uma sociedade mais justa. Mantendo-se tudo como está, as escolas dos pobres serão inevitavelmente guetos de onde é difícil sair e as dos ricos aquários onde os meninos só vêem uma parte do mundo. Continuo a acreditar que, se as escolas públicas forem boas, os filhos dos pobres poderão, até certo ponto, sair do círculo de miséria em que estão encerrados. Sem ceder a «facilitismos», um termo que nasceu com a democracia.

 

PUBLICADO EM MARÇO 2014

Autora

Maria Filomena Mónica

Historiadora
Maria Filomena Mónica nasceu em Lisboa em 1943. Licenciada em Filosofia pela Universidade de Lisboa em 1969 e doutorada em Sociologia pela Universidade de Oxford em 1978. Actualmente, é investigadora-coordenadora emérita do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Autora de artigos na imprensa periódica e de séries para a televisão. Entre outros, publicou os seguintes livros: Educação e Sociedade no Portugal de Salazar, 1978; Visitas ao Poder, 1993; Vida Moderna, 1997; Os Filhos de Rousseau, 1997; Eça de Queirós, 2001; Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834/1910, (org.) Lisboa, ICS/AR, 2004; Bilhete de Identidade, 2005; D. Pedro V, 2005; Cesário Verde, 2007; Fontes Pereira de Melo, 2009, Vidas, 2010 e Os Cantos, 2010, e A Morte (2011).

A concentração corporativa da edição em Portugal (a propósito de Hemingway)

A propósito da reedição dos catálogos da “Livros do Brasil” após a absorção da editora pelo grupo Porto Editora, tecemos considerações sobre a concentração corporativa neste ramo de actividade que achámos melhor localizar num artigo próprio para não contaminar a informação dada sobre a edição da obra de Hemingway.

XOXOXOXOX

O panorama da edição em Portugal tem conhecido desenvolvimentos a nível corporativo dramáticos, com editoras a fechar, outras a serem adquiridas pelos dois grandes grupos que se têm posicionado no mercado de língua portuguesa, a Porto Editora e a Leya, com a vinda de grupos estrangeiros, sobretudo de Espanha (Editorial Planeta, situada em 11.º das maiores do mundo – em Portugal; Santillana, 28.º do mundo, empresa do Grupo Prisa, dona da TVI e do jornal El País, entre outros),  com a constituição de outros grupos mais modestos (Almedina, a esteta Babel, etc.), com o abandono da Bertelsmann, um gigante de nível mundial com origem alemã, dona da Penguin Random House, número 5 do mundo, que detinha o Círculo de Leitores, a editora Temas & Debates e a a rede das livrarias Bertrand entretanto adquiridos pela Porto Editora e, finalmente, com a persistência de pequenas editoras “independentes” (artigos aqui e aqui) que vão ocupando os espaços que os grandes não querem ou não sabem preencher.

Mesmo assim, nenhum dos grupos maiores acima referidos aparece nos 57 maiores do mundo, segundo a Publishers Weekly, onde podemos observar os dois grupos espanhóis, que aproveitam muito bem o mercado da língua castelhana (Espanha, América-Latina, falantes nos EUA e no Canadá), assim como a subida espectacular de grupos chineses. Grupos em língua portuguesa, surgem lá no fim da lista 3 grupos brasileiros.

A escassa integração dos mercados do Brasil e de Portugal, assim como dos países de língua oficial portuguesa, faz com que nem as editoras brasileiras consigam vender cá a preços decentes, nem as editoras portuguesas consigam penetrar no difícil e protegido mercado brasileiro.  A Leya, por exemplo, tem parte da sua estrutura montada em Portugal e outra parte no Brasil, como se fossem empresas diferentes.

Podemos ver que países com uma dimensão populacional equivalente a Portugal, como a Dinamarca e a Suécia, têm grupos representados na lista acima citada, mas para isso deverá concorrer dois factores: a sua economia é muito mais moderna e descomplexada no que respeita ao “mercado cultural” e há um elevadíssimo nível de hábitos de leitura entre a sua população, havendo um mercado relativamente mais amplo do que o de Portugal.

A Porto Editora, ao adquirir as participações da Bertelsmann em Portugal, não só concretizou uma concentração horizontal, adquirindo editoras e chancelas com os respectivos catálogos e, consequentemente, os direitos económicos sobre as obras aí contidas, como constituiu uma concentração vertical, desde a posse de um parque gráfico onde imprimem os livros, passando pela parte editorial, até à comercialização, uma vez que detém a Wook (desenvolvido desde a base pelo grupo) mas também a rede de livrarias Bertrand e o Círculo de Leitores, comprados aos alemães.

A Leya também tem uma loja on-line, elemento fundamental neste negócio e que até editoras mais pequenas já têm um serviço destes, que permite a aquisição directa à editora sem intermediários, mas, infelizmente, sem os descontos correspondentes, em virtude da Lei do Preço Fixo do Livro.

Esta situação de domínio editorial por dois grandes grupos tem sido recebida pelos concorrentes, pelos trabalhadores do ramo e pelos leitores mais atentos com sentimentos mistos e deu até para piadas de “primeiro de abril“.

Hemingway reeditado

paris festa

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

A editora “Livros do Brasil” editou durante décadas obras que são hoje clássicos na colecção “Dois mundos”, assim como emblemáticas colecções Argonauta (ficção científica) e Vampiro (policial). Entretanto, a editora foi absorvida pelo grupo Porto Editora que começou a reeditar o catálogo, respeitando o design muito característico que a “Livros do Brasil” utilizava nas capas. Esta é, a nosso ver, uma boa notícia.

A obra de Ernest Hemingway, autor norte-americano muito lido e consagrado em vida, mas que vinha sendo esquecido nos últimos tempos, foi editada nesta colecção, às vezes com edições bastante descuidadas. Começa agora a ser reeditada e, esperamos nós, expurgadas dos erros que continha.

SINOPSE

Em 1921, um jovem Ernest Hemingway chega a Paris decidido a abandonar o jornalismo e a iniciar carreira como escritor. De bolsos vazios e com a cabeça povoada de sonhos, percorre as ruas de uma cidade vibrante nos dias de pós-Primeira Guerra Mundial, senta-se nos seus cafés para escrever, recolhe-se em retiros apaixonados com a sua primeira mulher, Hadley, e partilha aprendizagens e aventuras com algumas das mais fulgurantes figuras do panorama literário da época, como Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald ou a madrinha desta – por si apelidada – «geração perdida», Gertrud Stein. Situada entre a crónica e o romance, Paris é uma Festa é a memória destes anos e a obra mais pessoal e reveladora de Hemingway. Deixada inacabada pelo autor, seria publicada postumamente, em 1964.

 

Os homens que amaram evelyn cotton

os-homens-que-amaram-evelyn-cotton

Sinopse

«Frank Ronan escreve sobre o amor com uma perspicácia feminina absolutamente notável!»
Fay Weldon

«Uma estreia prodigiosa!»
Times Literary Supplement

«Surpreendente e brilhante!»
Guardian

«Um romancista que compreende o amor. Frank Ronan é um anatomista do sentimento.»
The Times

PRÉMIO DO IRISH TIMES PARA LITERATURA 1990

Autor

FRANK RONAN
Nasceu na Irlanda em 1963.
Escreveu romances e contos :
Editados em Portugal pela Gradiva.
Romances:
Colecção de contos:
Tem contos seus incluídos nas antologias Best Short Stories, Telling Stories e The Best of Cosmo Fiction e ainda no Daily Telegraph e em várias revistas. Alguns foram também narrados na BBC Radio 4.
x
(informação recolhida aqui)

Novo autor português

perguntem_sarah_gross

SINOPSE

Em 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado avassalador.
Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou.
Rigoroso, imaginativo e profundamente cinematográfico, com diálogos magistrais e personagens inesquecíveis, Perguntem a Sarah Gross é um romance trepidante que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História. A obra foi finalista do prémio LeYa em 2014.

CRÍTICA

ISABEL LUCAS | Auschwitz nasceu num lugar feliz | Público, 07/08/2015

Reportagem SIC (X)

A Noite dos Calígrafos

noite_dos_caligrafos

A Noite dos Calígrafos

de Yasmine Ghata
SINOPSE
A vida da primeira mulher calígrafa árabe num universo predominantemente masculino.

«A minha morte foi tão suave como a ponta do junco mergulhando as fibras no tinteiro, mais rápida do que a tinta absorvida pelo papel.» Assim fala Rikkat, a calígrafa otomana, numa voz que oscila entre a sombra e a luz, quando empreende a narrativa da sua vida. Este livro é uma verdadeira pérola literária. A autora leva-nos a viajar através das palavras, escolhidas com desvelo, no universo particular duma caligrafista turca. Ela descreve- nos com virtuosismo o trabalho e a paixão desta mulher, sozinha num universo tipicamente masculino. Uma magnífica homenagem a Rikkat Kunt, primeira calígrafa feminina e avó da autora.