Os Intelectuais e o Liberalismo

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Os Intelectuais e o Liberalismo

 Raymond Boudon

Como se explica que haja tantos mal-entendidos à volta do liberalismo, a doutrina política a que se deve a afirmação da liberdade, da dignidade e da autonomia dos seres humanos, a proclamação dos direitos do homem, a defesa de uma ordem política em que este seja actor consciente das suas condições de vida? Como se explica, então, que tantos intelectuais o rejeitem? Será apenas pela função crítica que cumpre aos intelectuais, função encorajada, aliás, pelo espírito liberal nas sociedades livres e plurais em que o liberalismo triunfou? Será por o liberalismo ser a referência relativamente à qual se definem as posições revolucionárias e reaccionárias?
Esclarecendo os equívocos que hoje se verificam à volta do liberalismo, desmontando os chavões em que assentam as críticas mal informadas que lhe são dirigidas, Raymond Boudon faz uma recapitulação cáustica e pormenorizada das ideias feitas que desde há trinta anos, pelo menos, confundem e viciam o debate político e estão na origem de trágicos efeitos perversos, particularmente nos domínios da política educativa, da política económica ou ainda da política de luta contra a delinquência.

RAYMOND BOUDON foi professor jubilado da Sorbonne e membro da Académie des Sciences Morales et Politiques, além de membro do Institut de France e de numerosas academias estrangeiras. Dirigiu o centro de investigação Groupe d’Études des Méthodes de l’Analyse Sociologique (GEMAS).

in, GRADIVA

 

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Alain Minc

Cartas Abertas

Cartas Abertas aos Nossos Novos Senhores

 Alain Minc

«O conformismo mudou. Deixou de ser o velho conformismo burguês e passou a ser uma variante do «politicamente correcto». É apanágio dos senhores do momento: gays, feministas, comunitaristas, cruzados do movimento antiglobalização, apóstolos do populismo – entre outros.
O seu discurso é omnipresente, as suas exigências triunfam, os seus fantasmas passaram a fazer parte do imaginário colectivo. A sociedade abdicou perante eles, como outrora se curvou perante as classes dirigentes. Surpreendente mudança de perspectiva: a ideologia que se tornou dominante foi a dos que têm a inteligência de se apresentar como dominados.
«Nem Deus nem senhor»: por que razão não se aplicará o mais belo dos princípios aos nossos novos senhores? Porque escapam eles a qualquer interpelação? Por que razão a exibição dos sofrimentos passados ou da marginalização de outrora deverá deixá-los ao abrigo das críticas que, a justo título, nos fizeram a nós?
Dez cartas abertas aos nossos novos senhores para pôr fim a esse silêncio de chumbo.»