ISBD e normas

A Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada (International Standard Bibliographic Description – ISBD) é uma norma internacional de descrição de documentos.

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Constitui um instrumento essencial para a formulação de notícias bibliográficas já que está na base das normas seguidas pelos bibliotecários, Além disso, é fundamental para a comunicação normalizada de informação bibliográfica entre bibliotecas e destas com os leitores, permitindo que todos consigam decifrar um registo.

No início foi pensada apenas para ser aplicada às monografias – ISBD(M) -, foram elaboradas versões dedicadas a outros tipos de documentos: livro antigo – ISBD(A), ficheiros de computador – ISBD(CF), publicações cartográficas – ISBD(CM), partes componentes de publicações – ISBD(CP), para recursos contínuos – ISBD(CR), para material não livro – ISBD(NBM), para música impressa – ISBD(PM), para publicações em série – ISBD(S).

Depois de anos de evolução, com a publicação em 2007 do Functional Requirements of the Bibliographic Records, documento que desenvolve os conceitos relacionados com os  requisitos funcionais para os registos bibliográficos (FRBR), deu-se entrada numa nova fase com a consolidação da norma, culminando em 2011 com a International Standard Bibliographic Description – Consolidated Edition (ed. original IFLA em inglês)  (português) (outras traduções da IFLA- acesso livre).

A grande novidade da ISBD consolidada é que unifica e funde as regras de descrição para todos os tipos de recursos de modo a evitar redundâncias e a adquirir maior harmonização na escrita e descrição de todos os materiais.

O principal objectivo da ISBD é normalizar a descrição dos recursos de forma a ser compatível a nível  mundial, facilitando o intercâmbio internacional de registos bibliográficos entre agências bibliográficas nacionais e dentro da comunidade internacional dos bibliotecários e outros técnicos de informação. Os registos normalizados facilmente são importados de uns serviços a partir dos registos de outros serviços, mesmo que não se situem no mesmo país, sendo intercambiáveis.

Por outro lado, ajuda a interpretação dos registos por todos, mesmo que o leitor esteja a consultá-los numa língua que não domina. Bastará que conheça a estrutura e a pontuação prescritas.

Facilita a conversão dos registos para formato electrónico e  melhora a sua utilização num ambiente semântico WEB e em outros suportes de conteúdo.

Embora a ISBD esteja em consonância com a terminologia dos requisitos funcionais dos registos bibliográficos (FRBR), não a incorpora directamente e opta por manter uma terminologia específica.

A estrutura da ISBD assenta em três elementos imutáveis:

  1. Especifica os elementos que integram uma descrição bibliográfica
  2. Cada elemento da descrição bibliográfica (título, responsabilidade, menção de edição, etc.) surge sempre pela mesma ordem de sucessão.
  3. Prevê um sistema de pontuação que precede cada elemento da descrição.

Elementos e ordem dos diversos elementos:

0 ZONA DE FORMA DO CONTEÚDO E DO TIPO DE MATERIAL

0.1 Forma do conteúdo

0.2 Tipo de material

1 ZONA DE TÍTULO E MENÇÃO DE RESPONSABILIDADE

1.1 Título

1.2 Título paralelo

1.3 Complemento do título

1.4 Indicações de responsabilidade

2 ZONA DE EDIÇÃO

2.1 Indicação de edição

2.2 Indicação de edição paralela

2.3 Indicações de responsabilidade relativas à edição

2.4 Indicações de edição adicional

2.5 Indicação de responsabilidade relativa à indicação de edição adicional

3 ZONA ESPECÍFICA DE MATERIAL OU TIPO DE PUBLICAÇÃO

3.1. Dados matemáticos (Recursos cartográficos)

3.2 Informação de formato musical (música notada)

3.3 Numeração (Publicações em série)

4 ZONA DE PUBLICAÇÃO, PRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO, ETC.

4.1 Local de publicação, produção e/ou distribuição

4.2 Nome do editor, produtor e/ou distribuidor

4.3 Data de publicação, produção e/ou distribuição

4.4 Local de impressão ou fabrico

4.5 Nome do impressor ou fabricante

4.6 Data de impressão ou fabrico

5 ZONA DE DESCRIÇÃO FÍSICA

5.1 Extensão

5.2 Outros pormenores físicos

5.3 Dimensões

5.4 Indicação de material acompanhante

6 ZONA DE SÉRIE E PUBLICAÇÃO EM SÉRIE MONOGRÁFICA

6.1 Título próprio da série, subsérie ou publicação em série monográfica

6.2 Título paralelo da série ou publicação em série monográfica

6.3 Complemento do título da série ou publicação em série monográfica

6.4 Informação de responsabilidade relativa da série ou publicação em série monográfica

6.5 Número internacional normalizado da série, subsérie ou publicação em série monográfica

6.6 Numeração da série ou publicação em série monográfica

7 ZONA DE NOTAS

7.0 Notas sobre a zona de forma do conteúdo e do tipo de material

7.1 Notas sobre a zona de título e menção de responsabilidade

7.2 Notas sobre a zona de edição e a história bibliográfica da publicação

7.3 Notas sobre a zona específica de material ou tipo de publicação

 7.4 Notas sobre a zona de publicação, produção, distribuição, etc.

7.5 Notas sobre a zona de descrição física

7.6 Notas sobre a zona de série

7.7 Notas relativas ao conteúdo

7.8 Notas sobre a zona a zona de identificação da publicação e condições de disponibilidade

7.9 Notas relativas ao fascículo, parte, item, etc., em que se  baseia a descrição

7.10 Outras notas

7.11 Notas sobre o exemplar que se descreve

8 ZONA DE IDENTIFICAÇÃO DA PUBLICAÇÃO E CONDIÇÕES DE DISPONIBILIDADE

8.1 Identificador do recurso

8.2 Título chave (recursos continuados)

8.3 Condições de disponibilidade

Exemplo:

Um documento que apresenta os seguintes elementos descritivos, já com pontuação ao nível de cada zona. Como se pode observar, não é obrigatório preencher todos os elementos, havendo alguns obrigatórios e outros facultativos. Depende também da informação que obtemos da publicação.

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A mesma publicação, mas com uma apresentação típica a partir do modelo ISBD:

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