Fonte prescrita de informação

Fonte prescrita de informação é a parte de uma publicação onde devemos procurar informação para estabelecer os cabeçalhos ou pontos de acesso e elaborar a descrição bibliográfica.

Quer os elementos de entrada (cabeçalhos), quer os elementos de descrição bibliográfica devem ser procurados na folha de rosto ou página de título da publicação. É a principal fonte prescrita de informação dos elementos necessários.

FOLHA DE ROSTO

Trata-se da página de título de uma publicação impressa onde estão inscritos os elementos fundamentais da obra consultada. Pode conter título, subtítulo ou complemento de título, nome do(s) responsável(veis) intelectual(is) da obra (autor, editor, compilador, tradutor, ilustrador, organizador, etc.), além da menção da edição, lugar da edição, designação do editor e data da publicação.

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As diversas páginas do livro e as informações que fornecem

 Um livro, quando decentemente editado, apresenta uma série de folhas antes do texto da obra propriamente dito. A seguir à capa, podem vir

  1. Folha de guarda, serve para proteger as outras folhas, normalmente de papel mais espesso. Não dá informação.
  2. Folha de rosto falsa: constam apenas  elementos de informação incompletos, normalmente apenas o titulo e o autor.
  3. Folha de rosto ou título: apresenta os elementos fundamentais que nela devem constar  (título, subtítulo, indicação de responsabilidade – autor, etc, edição, local e data de publicação, editor)
  4. Folha de rosto adicional ou complementar: folha que vem imediatamente antes ou depois da folha de rosto e que contém informações acessórias sobre a obra: o copyright (quem detém os direitos de autor), o ISBN, elementos tradicionalmente colocados no colofão (impressores, etc.), responsabilidades secundárias (ilustradores, revisores, etc.), tiragem, editor, data e local da edição, entre outros. Por vezes, essa informação é redundante, o que não traz problemas, a não ser quando contradiz o que vem na folha de rosto. Neste caso, prevalece a informação da folha de rosto. Um elemento que cada vez mais surge nesta folha é uma nota bibliográfica da responsabilidade do editor. Deve-se aceitar esta informação mas com sentido crítico.
  5. Colofão: elementos informativos da impressão. Nos últimos anos temos visto que muitos editores passaram a colocar as informações do colofão na folha de rosto adicional.

Diapositivo1

Diapositivo2

Diapositivo3

Mas pode haver outras fontes de informação igualmente prescritas:

  • Publicação com um só volume tem mais de uma página de rosto ou título, escolhe-se a que é específica para a que estamos a descrever.
  • Publicação com vários volumes e cada um tem página de rosto própria, escolhe-se a do primeiro volume.
  • Publicação com vários volumes em que cada um tem uma página de rosto com diferentes elementos, considera-se que todas são fontes e integra-se os elementos recolhidos num mesmo registo.
  • Publicação sem folha de rosto procura-se uma fonte alternativa que se mostrar mais completa, preferindo-se uma que faça parte da publicação a uma fonte externa. Neste caso, os elementos são registados entre parênteses rectos […], salvo se forem incluídas na zona das notas (zona 7).
  • Publicações orientais, cuja organização é diferente da ocidental, quanto mais não seja por lerem da direita para esquerda, não têm folha de rosto ou então esta aparece muito incompleta e dão uma grande importância ao colofão, que se torna a fonte principal.
  • Para cada uma das oito zonas da descrição, as fontes prescritas que não sejam a página de rosto são:
    • Menções de edição e de publicação (zonas 2 e 4): a informação pode também ser procurada no colofão e noutras páginas junto à página de rosto.
    • descrição física (zona 5): toda a publicação – número de páginas, altura da lombada, se tem ou não ilustrações, se é acompanhado por outro material.
    • Série (zona 6) – toda a publicação, incluída a capa e a lombada.
    • Notas e ISBN e modalidades de aquisição (zonas 7 e 8): qualquer fonte.

Parênteses rectos […]

Usa-se sempre que obtemos informação das fontes não prescritas. Por ausência de elementos de informação na página de rosto, somos obrigados a procurar noutros locais da publicação (capa, etc.) ou em fontes exteriores à publicação, como bibliografias, enciclopédias e outros recursos do género. Por exemplo, quando há ausência da indicação do ano da publicação, é-se obrigado a fazer uma indicação aproximada, colocando-a sempre entre [parênteses rectos].

Esta obrigação não se aplica se os elementos colhidos em fontes não prescritas forem registados como notas, na zona 7.

Língua | abreviaturas | erros

A regra manda que se utilize na descrição bibliográfica a língua em que se expresse na publicação, exactamente como vem nas fontes prescritas. Isto serve para qualquer elemento de informação, incluindo a menção de edição: no caso do exemplo do “The Oxford english dictionary”, a menção da edição regista-se “second edition” porque é assim que está na fonte prescrita.

Quando o título (ou outro elemento em que isso aconteça) vem expresso em duas ou mais línguas: escolhemos uma delas para título próprio; o título expresso na(s) língua(s) não escolhidos é apresentado como título paralelo (antecedido por =, que é o sinal de pontuação que o indica).

Por vezes, pode-se fazer supressões de partes dos elementos (quando são extensos ou irrelevantes, caso de títulos honoríficos ou académicos dos autores, por exemplo), indicando-as com 3 pontos seguidos:…

Também se pode abreviar na zona da responsabilidade, quando há mais de um autor: até 3 autores, é facultativo, mas quando há mais de 3 autores, torna-se obrogatório; utiliza-se para indicar que se suprimiu o nome de autores a abreviatura “et al.” (da expressão latina “et alii” que significa “e outros mais“).

Pode-se usar abreviaturas, havendo normas. Divulgamos uma tabela da BGUC muito interessante para este fim.

Quando se detectam erros, de impressão ou outros, não se deve corrigir, transcrevendo-se exactamente como vem na fonte prescrita. Podemos assinalar o erro de três formas, o que nos parece uma boa prática até para indicar ao leitor que o erro não é nosso:

  1. coloca-se após o erro detectado “sic” (uma expressão latina) entre parênteses rectos [sic] ou o sinal [!].
  2. acrescenta-se a seguir a forma correcta entre parênteses rectos, precedendo de “i.é.”. Exemplo: previlégio [i.é. privilégio].
  3. No caso de omissão de letras, acrescentar entre parênteses rectos a letra que falta: “A misão a Marte” – “A mis[s]ão a Marte.

No caso de não soubermos o nome do editor, indicaremos a omissão com [s.n.] (sine nomine), e se não apurarmos o local da publicação será [S.l.] (sine loco).

Há imensos pormenores do género que exigem uma consulta das normas.

E a capa?

Na manufactura de um livro, a capa é a última parte a ser colocada e tem um valor mais comercial do que bibliográfico.

tintadachina

Capas de uma colecção da editora Tinta-da-China

Antigamente até se vendia livros sem capas e o comprador encarregava-se de mandar encapar num encadernador. Sucedia, por vezes, que o proprietário de vários livros sem relação bibliográfica entre si, os mandava encapar numa só encadernação. Chama-se uma miscelânea.

Nos nossos dias, por vezes, acontece que elementos de identificação registados na capa entram em contradição com os elementos impressos na chamada folha de rosto. Isso explica-se de muitas formas, desde a simples falta de cuidado do encadernador, até a situações que têm a ver com  leitura de textos clandestinos disfarçados numa capa descomprometedora, entre muitos outros factores que não nos interessa desenvolver agora. Mesmo com os modernos processos de impressão, de vez em quando detectamos erros.

Prevalece sempre o que vem referido na folha de rosto.

Capas livros

Capas de livros por Ana Boavida, do atelier de design FBA, distinguida pelo seu trabalho na colecção de livros “Temas de Psicanálise”.
Foram criados para se destacar numa estante.