O futebol e os livros

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(clicar na imagem para ler na íntegra a segunda parte da entrevista ao treinador Manuel José à jornalista Alexandra Simões de Abreu, publicada em 22 de julho no Expresso Tribuna; a primeira parte pode ser lida aqui )

Manuel José é uma personalidade interessante, com uma história de vida muito rica e uma visão do mundo e do futebol que revela inteligência e cultura.

Com pouca escolaridade, como terá adquirido a capacidade de análise e desenvolveu a sabedoria que revela ao interpretar as situações complicadas com que se deparou ao longo da vida? A resposta vem nesta parte da entrevista:

Além da pesca o que gosta mais de fazer nos tempos livres?
De ler. Leio 40, 50 livros por ano. Acho que foi o ter de deixar de estudar tão cedo. E o esforço que o meu pai e a minha mãe fizeram para que eu estudasse. (…) Marcou-me. O meu irmão também gostava muito de ler quando era jovem. Comprava aqueles livros do Sandokan, o Tigre da Malásia e eu devorava aquilo tudo.

O que é que lhe dá mais prazer ler?
Sei lá, já li tanta coisa. Devido à vida que tinha como treinador, e que infelizmente agora não tenho, aprendi que o futebol é caracterizado por um mediatismo tremendo. Um indivíduo passa de herói a cobarde ou a vilão em hora e meia. A pressão psicológica é tremenda. Costumo dizer que há jogadores que em clubes pequenos são grandes jogadores e quando chegam a um clube grande transformam-se em pequenos jogadores. Tudo porquê? Pela atitude mental. No futebol um indivíduo passa do anonimato a figura pública em três jogos. No meu tempo, muito mais do que hoje, havia uma impreparação tremenda para esse mediatismo, e como quase todos vínhamos de classes sociais menos favorecidas, em que se tinha uma dificuldade maior em lidar com o sucesso ou com o insucesso… É preciso ter um caráter competitivo e profissional fortíssimo e a psicologia tem que estar sempre presente. Por isso li os livros de psicologia todos. Li tudo o que havia, desde a antiguidade até hoje e li todos relacionados com a minha profissão. Para além da formação da equipa e da metodologia de treino, dei sempre muita importância à parte psicológica, porque isso é que comanda tudo.

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Visita Guiada à Biblioteca Nacional

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O programa da RTP “Visita guiada” é um dos melhores da televisão portuguesa, da autoria e apresentação de Paula Moura Pinheiro que faz uma visita guiada ao património cultural português.
Em cada emissão, o programa elege uma peça-protagonista seleccionada de entre as que foram produzidas em Portugal nos últimos mil anos. Pode ser um pequeno cálice ou uma catedral, um conjunto de esculturas, uma pintura, um jardim botânico ou um complexo de arquitectura industrial. O que conta é a sua excepcionalidade.
Em cada emissão, são convocados especialistas na matéria, gente informada e esclarecedora.

Desta vez foi a Biblioteca Nacional de Portugal (e não de Lisboa, mas enfim…) e este programa é interessante por três motivos:

1- aborda o edifício como objecto arquitectónico e que acolhe peças de design excepcionais.

2- contém aspectos relacionados com a organização de uma biblioteca e valoriza o trabalho de gestão da equipa que trabalha na BNP.

3- mostra alguns dos tesouros bibliográficos que contém nas suas reservas.

 

Casa das Ciências: publicações

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(clicar na imagem)

A Casa das Ciências é um portal de base colaborativa que recolhe, valida e divulga materiais digitais para servir os professores de ciências dos diferentes níveis de ensino.

As bibliotecas do Agrupamento têm recebido gratuitamente exemplares da Revista de Ciência Elementar. Trata-se de uma publicação trimestral, que discute conceitos de Ciência Elementar, através de artigos de diversos autores, observando um padrão de qualidade de informação de nível elevado.

Dirige-se a um público alargado de professores do ensino básico e secundário, aos estudantes de todos os níveis de ensino e a todos aqueles que se interessam pela Ciência, nomeadamente a Matemática, Física, Química, Biologia e Geologia.

O nível da linguagem, sendo acessível, procura manter um rigor superior.

Clicando na imagem, obtém-se a ligação à página onde estão “depositados” as diversas publicações já lançadas, podendo-se a partir daí importar os artigos já publicados, com duas opções: ficheiro PDF ou ficheiro EPUB.

Corpo redatorial.

 

Ruben A.: narrativa surrealista e fantástica

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A Torre da Barbela

de Ruben A.

Biografia: “Chocando pela mordacidade, pela irreverência linguística e pela desconstrução dos eixos narrativos tradicionais, estreara-se, entretanto, na novelística com o romance Caranguejo , publicado em 1954, a que se seguiria, em 1965, um dos seus maiores sucessos, A Torre da Barbela (prémio Ricardo Malheiros), obra que sobrepõe, num delírio verbal apostado na caricatura da psicologia portuguesa, várias épocas da História da nacionalidade.”

Infopédia: Obra de Ruben A. publicada em 1964, é uma narrativa surrealista e fantástica, onde o humor se associa a um débito verbal delirante, na evocação da história da família Barbela, numa viagem burlesca pela História de Portugal, desde a fundação da nacionalidade até aos nossos dias, desde um passado glorioso até um presente picaresco, compondo um irreverente e mordaz retrato da identidade nacional.

Viagem à Índia

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O Murmúrio do Mundo

Almeida Faria

Ilustração: Bárbara Assis Pacheco

Belíssimo retrato da sua viagem à Índia.

Aguarelas a cores de Bárbara Assis Pacheco.

Autor premiado: Prémio Revelação de Romance da SPE, Prémio Aquilino Ribeiro, Prémio D. Dinis, Prémio Originais de Ficção da APE, entre outros.

Notas críticas no PúblicoHoras extraordinárias, Ler (através do blogue Bibliotecário de Babel)

EXCERTOS
«O viajante ocidental que pela primeira vez visita Goa e Cochim (agora Kochi) enfrentará provavelmente, apesar dos muitos traços do passado europeu, a vertigem do caos à sua volta e dentro de si. Quando começa a familiarizar-se com a estonteante exuberância e com as contradições coexistentes, quando julga começar a entender a complexidade das castas, dos cultos e costumes tão diferentes, quando começa a fixar nomes, imagens, atributos dos deuses, tudo lhe foge de súbito, tudo se torna de novo confuso, como se o véu de Maia voltasse a cobrir a indecifrável irrealidade da Índia real.»

Rainer Maria Rilke

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Cartas a um Jovem Poeta

Rainer Maria Rilke

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Atraídos pela sua poesia, era frequente alguns jovens escreverem a Rilke, falando-lhe dos seus problemas e aspirações.

De 1903 a 1908 Rilke enviou um notável conjunto de cartas a um jovem candidato a poeta.

Revelando-lhe a sua relação com a vida e a dificuldade que um espírito sensível tem em sobreviver num mundo duro e implacável.

Rainer Maria Rilke nasceu em Praga em 1875.

Escritor precoce, publicou o seu primeiro livro de poesia antes dos vinte anos, Vida e Canções (1894). Entre as suas obras mais famosas contam-se Elegias de Duíno (1923), Cartas a um Jovem Poeta (1929, póstuma) e o seu único romance, de teor autobiográfico, As Anotações de Malte Laurids Brigge (1910).

Solitário inveterado, levou uma vida errante e instável, desde os dias de Praga, sua terra natal, às viagens pela Rússia, a sua pátria espiritual, pelo Egipto, Itália e Espanha.

Travou amizades com alguns dos criadores mais importantes da sua época. Foi secretário do grande escultor Auguste Rodin.

Rilke destacou-se como um dos autores mais relevantes de língua alemã, tanto na poesia como na prosa lírica. Faleceu em Valmont, na Suíça, vítima de leucemia, em 1926.