BIODIVERSIDADE, ÁGUA E VIDA

O Grupo disciplinar 520 organizou no dia 2 de Maio uma actividade de complemento curricular designada Biodiversidade, água e vidae que consistiu numa palestra sobre o tema “Diversidade na Biosfera”, matéria que faz parte do currículo das disciplinas de Biologia e Geologia do 10º ano de escolaridade e de Biologia do 12º ano de escolaridade. Esta actividade também se enquadra na comemoração do Ano Internacional da Biodiversidade.

O orador convidado foi o Professor Doutor Jorge Paiva, ambientalista, Professor Catedrático e Investigador Principal (aposentado) do Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra.

Através desta actividade, os elmentos do referido grupo discoplinar procuraram estimular o espírito crítico e científico dos alunos, criar situações de ensino/aprendizagem complementares ao currículo das disciplinas de Biologia e Geologia e Biologia e alertar a comunidade escolar para as implicações que a perda da biodiversidade pode acarretar para o futuro do Planeta e para as nossas vidas.

Os participantes foram os alunos e professores das disciplinas de Biologia e Geologia do 10º ano, turmas A e B e de Biologia do 12 º ano, turma A.

BIODIVERSIDADE, ÁGUA E VIDA

 

Resumo da Palestra:

BIODIVERSIDADE, ÁGUA E VIDA

 

Jorge Paiva

(Biólogo)

Centro de Ecologia Funcional. Universidade de Coimbra

 

A RELEVÂNCIA DA BIODIVERSIDADE

 

            Qualquer pessoa sabe que precisa de comer para viver e crescer e que a comida é constituída por material biológico (vegetal e animal).

            Também toda a gente sabe que qualquer motor para trabalhar precisa de um combustível que, através de reacções químicas exotérmicas (combustão) liberta calor (energia) suficiente para que o motor funcione. Os carburantes (gasolina, gasóleo, álcool, gás, etc.) são compostos orgânicos com Carbono (C), Hidrogénio (H2) e Oxigénio (O2). O combustível que não é consumido, por não ter utilidade na produção de energia (calor), é expelido pelos tubos de escape, sendo até poluente.

            Todos sabemos que o nosso corpo que tem vários “motores”. O coração é um desses “motores” que está sempre a “bater” (trabalhar) e que não pode parar. Quando pára, morre-se. Se o coração é um motor, tem de haver um combustível para que este motor funcione. Esse combustível é a comida, que não é de plástico, nem são pedras, mas sim produtos vegetais e animais. Essa comida que ingerimos é transformada no nosso organismo em energia (calor), através de reacções exotérmicas (digestão) semelhantes à referida combustão, que vai fazer com que os vários motores do nosso corpo, entre os quais o coração e os pulmões, trabalhem e nos mantenham vivos.

            Na comida estão as substâncias combustíveis com Carbono (C), Hidrogénio (H2) e Oxigénio (O2), como são os hidratos de carbono (açucares, farinhas, etc.), lípidos (gorduras, como o azeite, a manteiga, etc.) e proteínas (na carne, no peixe, nas leguminosas, como o feijão, a fava, a ervilha, etc.). Estas últimas têm mais um elemento, o Azoto (N2), que, apesar de nos ser muito útil em reduzida quantidade, é muito tóxico. Assim, tal como acontece com os veículos automóveis, da comida que ingerimos, o que não é transformado em energia é expelido do nosso corpo sob a forma de fezes. Mas nós temos de ter outro escape para o azoto, que é a urina.

            Assim, qualquer pessoa entende que os outros seres vivos são a nossa “gasolina” (combustível) e que se não os protegermos e eles desaparecerem do Globo Terrestre, também nós vamos desaparecer, por ficarmos sem carburante.

            Todos os seres vivos necessitam dessas substâncias orgânicas como nutrientes (“combustíveis”).  As plantas, porém, não precisam de comer, porque são os únicos seres vivos que são capazes de as sintetizarem (produzirem), “acumulando” no seu corpo o calor (energia) do Sol (a fonte de energia que aquece o Planeta Terra) com a ajuda de substâncias (CO2 e H2O) existentes na atmosfera e reacções químicas endotérmicas (fotossíntese). Como os animais não são capazes de fazer isso, têm que comer plantas (animais herbívoros) para terem produtos energéticos ou, então, comerem animais que já tenham comido plantas (animais carnívoros). Nós, espécie humana, tanto comemos plantas como animais, por isso, dizemos que somos omnívoros.

            Mas os outros seres vivos não são apenas as nossas fontes alimentares, fornecem-nos muito mais do que isso, como, por exemplo, substâncias salutares (mais de 70% dos medicamentos são extraídos de plantas e cerca de 90% são de origem biológica), vestuário (praticamente tudo que vestimos é de origem animal ou vegetal), energia (lenha, petróleo, ceras, resinas, etc.), materiais de construção e mobiliário (madeiras), etc. Até grande parte da energia eléctrica que consumimos não seria possível sem a contribuição dos outros seres vivos pois, embora a energia eléctrica possa estar a ser produzida pela água de uma albufeira, esta tem de passar pelas turbinas da barragem e as turbinas precisam de óleos lubrificantes. Estes óleos são extraídos do “crude” (petróleo bruto), que é de origem biológica.

            Enfim, sem o Património Biológico (Biodiversidade) não comíamos, não nos vestíamos, não tínhamos medicamentos, luz eléctrica, energia, etc.

             Portanto, sem os outros seres vivos (Biodiversidade) não sobreviveremos no Globo Terrestre.

   

A ÁGUA E A VIDA

             É, também, do conhecimento geral, que sem água não há vida e que o corpo dos seres vivos é maioritariamente constituído por água. Por exemplo, no meu caso, que tenho 1,72 m de altura, dos 70 kg que peso, 42 kg são de água, 12 kg de gorduras, 12 kg de proteínas, 2 kg de açucares e 2 kg de outras substâncias. Isto é, a maior parte do meu corpo (60%) é água.

É fácil demonstrar que sem água não há vida. Se deitarmos sementes em dois vasos com terra, mas só regarmos um deles, apenas nascerão plantas no que foi regado. Assim, nos desertos puros, onde não há água, nem chove, não há vida e nos oceanos, lagos, pântanos e rios, onde abunda a água, pululam seres vivos.

            Também é fácil demonstrar que o corpo dos seres vivos é maioritariamente constituído por água. Todos sabem que a espécie humana é capaz de sobreviver 2-3 meses sem comer, desde que se movimente o mínimo possível para não consumir o combustível (gorduras, açucares e proteínas) que tem acumulado no corpo. Uma pessoa em greve de fome emagrece. Mas não há ninguém que faça greve de sede, pois não aguentava mais do que 2-3 dias vivo. Também, quando uma pessoa está muito doente e não pode abrir a boca, dão-lhe soro intravenoso, que é fundamentalmente água.

            É por isso que, em todo o Globo Terrestre, é fundamental preservar as Zonas Húmidas, não só por conterem uma grande diversidade e quantidade de seres vivos, como também por serem reservas de água, muito importantes para nós e para os seres vivos de que dependemos.

            Infelizmente, estamos, há séculos, a fazer desaparecer grandes áreas de Zonas Húmidas. A drenagem de zonas alagadiças ou pantanosas não é uma prática moderna, já que se encontram provas arqueológicas disso, como a drenagem efectuada pelos etruscos dos amplos charcos em volta da colina onde se fundou Roma. Quando se procedeu à drenagem maciça de extensas áreas húmidas, por exemplo, no Languedoc-Roussillon (S de França) e na Pianura Pontina (CW de Itália), ignoravam-se os danos que daí adviriam. Actualmente, efeitos drásticos nas áreas húmidas estão também a ser produzidos por outras “pragas” da civilização, como a “regularização” de rios, construção de portos, vias rodoviárias e ferroviárias, urbanizações sem nexo, etc.

            As Zonas Húmidas, além de serem ecossistemas de elevada Biodiversidade, são essenciais para a vida e para a agricultura.

            Por outro lado, com a “revolução industrial” iniciou-se a poluição do Globo, agravada, durante a segunda metade deste século, com a “revolução verde” da agricultura. Assim, abarrotaram-se extensas Zonas Húmidas de produtos químicos nocivos, como pesticidas, agro-químicos, detergentes, nitratos, iões metálicos e muitos outros compostos vertidos por efluentes urbanos e industriais sem tratamento prévio. Ora, a nossa espécie só pode utilizar água potável. Não somos como muitos outros animais que conseguem beber água poluída com seres patogénicos ou com produtos químicos tóxicos. A água, desde que esteja poluída, pode matar-nos ou provocar-nos doenças que, posteriormente, muitas vezes levam à morte.

            Qualquer pessoa sabe que precisa de comer para viver e crescer e que a comida é constituída por material biológico (vegetal e animal); que a água potável é imprescindível à vida humana; que não se pode viver no seio do lixo; que a actividade industrial tem de ter regras de conduta para não poluir; que a atmosfera terrestre está repleta de gases tóxicos e que a concentração de gás carbónico (CO2) tem vindo a aumentar desmesuradamente, com o consequente efeito de estufa; etc.

            Praticamente toda a gente tem alguma consciência do que está a acontecer no Globo Terrestre, com o consequente risco de sobrevivência da nossa espécie, mas, a maioria das pessoas, não só não tem a educação ambiental necessária para entender o que se está a passar, como também para perceber que tem de mudar a sua maneira de estar na Terra. Enfim, há uma enorme falta de civismo, fundamentalmente por culpa dos políticos mundiais, que se preocupam essencialmente com o desenvolvimento económico.

            Não podemos continuar a poluir o Globo Terrestre como temos vindo a fazer, pois podemos atingir um estado de poluição tal que não será possível a vivência humana nesta gigantesca gaiola que é Terra.

 

            Portanto, sem água não há vida; sem água potável não há vida humana; sem a Biodiversidade não sobreviveremos no Globo Terrestre.

            Se conseguirmos, desta maneira, alertar e educar bem e claramente as pessoas, talvez as próximas gerações se tornem mais conscientes e sejam geridas por políticos não associados ao poder económico, de modo a preservar a Biodiversidade, a desperdiçar menos água, a consumir menos energia e a poluir, o mínimo possível, este Planeta onde a Humanidade se encontra engaiolada.

ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE

No âmbito da comemoração do ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE, a Escola Secundária da Mealhada levou a cabo uma actividade de complemento curricular, que consistiu numa saída de campo ao Parque da Cidade.

 Esta saída de campo enquadrou-se na temática “Diversidade na biosfera”, que faz parte do currículo da disciplina de Biologia e Geologia, do 10º ano de escolaridade.

Foi dinamizada pela Engenheira Anabela Bem-Haja, do Gabinete Florestal da Câmara Municipal da Mealhada.

 Os objectivos que se procurou atingir incluíam o estimulo do espírito crítico e científico dos alunos, a criação de situações de ensino/aprendizagem complementares ao currículo da disciplina de Biologia e geologia, o reconhecimento da diversidade de seres vivos existentes no ambiente em estudo, a identificação das espécies vegetais observadas, a sensibilização para a importância da conservação da biodiversidade e a sensibilização para a importância preservação das áreas verdes em ambiente urbano.

 Os alunos envolvidos frequentam a disciplina de Biologia e Geologia do 10º ano desta escola e desenvolveram a actividade nos dias 12 e 24 de Fevereiro do corrente ano.

Durante um período de 130 minutos, os participantes realizaram um pedipaper durante o qual fotografaram as espécies vegetais existentes no Parque da cidade e fizeram a respectiva investigação.

 Como trabalho final, elaboraram cartazes sobre a diversidade vegetal do Parque da cidade e organizaram uma Exposição para comunidade escolar na semana em que se assinalou o Dia Internacional da Biodiversidade (22 de Maio), ou seja, entre 19 e 26 de Maio.

Assim mostraram a diversidade da flora do Parque da cidade, dando particular ênfase às espécies autóctones, uma vez que o principal objectivo desta actividade era o de dar a conhecer à Comunidade Escolar a riqueza da flora existente, a sua importância e necessidade de preservação.

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