Pan and scan

A nossa biblioteca recebeu uma colecção interessante de filmes gravados em VHS e há quem apresente a necessidade de fazer uma conversão desse material para suporte digital. Sobre este assunto temos a dizer o seguinte:

Muitos professores e alunos aqui na Escola ainda confundem estas siglas todas e, pior, a natureza das tecnologias que estão por detrás de cada uma delas. O Video Home System (VHS) é um formato de gravação vídeo e audio dito analógico, tal como é o Betamax e muitos outros que entretanto foram esquecidos pela evolução tecnológica e pela guerra de mercados. A tecnologia do DVD, Blue Ray e outros muito menos famosos é digital.

Esta diferença tecnológica não resulta num pequeno pormenor, uma vez que a conversão do conteúdo de um para outro sistema encerra alguns problemas e mal-entendidos.

Pretender que a imagem melhore só porque se passa de VHS para DVD ou Blue-Ray (B-R) parece-nos um disparate, uma vez que o ganho é muito pouco, se houver. Apenas alguma estabilidade na imagem, mas mesmo assim duvidamos. A informação passa de um suporte para o outro, mas a qualidade que prevalece é o da tecnologia de origem e essa não melhora. Se a gravação for fraca ou se os aparelhos em que o fizermos já não estiverem em condições até piora.

O VHS, para além de ser analógico, tem uma imagem com uma resolução de imagem mais baixa do que a do DVD ou de qualquer outra tecnologia digital. Portanto, passa também os defeitos quando convertemos. Há possibilidades de melhorar a imagem com tecnologia e profissionais que se dedicam a restaurar masters de filmes, mas isso é outro patamar de desempenho.

Também a questão da longevidade do DVD relativamente ao VHS no que respeita à conservação do material gravado em ambiente doméstico é questionável. Dos contactos que temos mantido com especialistas na matéria, retivemos a ideia de que é falsa a sensação de segurança que existe entre muita gente quanto à segurança do armazenamento dos dados em CD-R (ou +R, ou –RW) ou em DVD-R. Resumidamente, disseram-nos que a longevidade de um CD ou de um DVD gravado em casa ou na biblioteca (a tecnologia é exactamente igual) não é assim tão grande e, em certos casos, perde-se até muito rapidamente a informação. Depende de certos factores que não controlamos.

Aconselharam a guardar a informação em disco duro externo, cujo custo se tornou muito baixo, tendo em conta a memória que oferece. Além disso, deve-se guardá-lo bem, longe de más vizinhanças electrostáticas e ao abrigo de outras más influências. Dizem-nos que a probabilidade de se perder informação digital é muito elevada, mesmo em sistemas protegidos. Não é por acaso que num ataque militar de um país contra outro, a primeira coisa que hoje se faz é um ataque electrónico para destruir todos os circuitos electrónicos.

Já nos aconteceu perdermos informação em CD e DVD que gravámos e testámos devidamente. Aparentemente estava tudo bem, foram guardados juntamente com outros e passados poucos meses estavam sem vestígios do material. Alguns desses especialistas até me dizem que muitas cassetes VHS irão sobreviver à maioria dos CD e DVD…

Já os DVD gravados pelas editoras e comprados nas lojas, responderam-nos que esses levam um “banho” de um produto químico, posteriormente à gravação, e ficam mais protegidos (por uns 30 anos… acrescentaram… com sorte).

Portanto, o melhor será comprar um disco duro externo, converter para lá os filmes VHS e depois, à medida que os “clientes” pedissem, gravávamos em DVD uma cópia. Ficávamos com três cópias: o VHS, o do disco duro e o do DVD.

Outra questão, para nós a mais importante, prende-se com o formato do ecrã. Tanto o formato VHS como o Betamax foram suportes concebidos para material de Televisão (documentários, séries, etc.). Estes filmes para TV são feitos para um ecrã com uma relação largura x altura 4:3 e para todo o material produzido desde o início para TV já foi feito desde logo naquele formato e não há grande problema.

Ora, a maior parte do cinema não foi feito para ecrãs dessa proporção do ecrã. Como muitos saberão mas outros não, essa relação, mesmo nos filmes mais rascas, é diferente. No mínimo será de 16:9 ou Widescreen, ou outros mais ainda complicados de enfiar no electrodoméstico chamado TV, como por exemplo o CinemaScope.

Por essa razão é que os televisores modernos passaram a adoptar o ecrã Panorâmico. Mas mmesmo assim, em alguns filmes surgem duas grossas barras pretas por cima e por baixo naqueles que exploram uma imagem larga, como é o caso dos “western”. Parte do interesse destas obras reside na imagem larga com que captam as paisagens. Na verdade, estes filmes são para se ver em cinema ou não se ver.

Cinema é imagem animada. Se tem ou não narrativa é outra questão. Antes de mais nada há o respeito pela imagem e, tal como não lemos livros a cortar palavras, também não devemos ver cinema a sério com imagens cortadas. Ver cinema com imagens amputadas é não ver cinema. É outra coisa, na nossa opinião.

Ora, o VHS tem esse problema: como colocar num ecrã 4:3 imagens pensadas para proporções diferentes? Amputando as imagens! Fazendo”pan and scan”. Este processo amputa terrivelmente as imagens de um filme pensado para outras dimensões.

Pan and scan

Já conhecemos este artigo com maior extensão e com elementos visuais mais explícitos. Para completar, convém aproveitar todos as hiperligações que o artigo fornece.

Ver também:

vídeo 1

vídeo 2

vídeo 3 (o mais interessante, com Scorcese e outros)

vídeo 4 (com Sydney Pollack)

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