Pesquisa
AS SEIS ETAPAS
A aprendizagem baseada em projectos permite desenvolver uma série de competências, fundamentais para uma boa formação escolar. São competências que cada vez mais se revelam importantes para a vida futura dos indivíduos, uma vez que ao longo da vida académica, profissional ou social, o trabalho de projecto assume uma grande relevãncia no trabalho das organizações. Trata-se, portanto, de proporcionar a aprendizagem de um método de trabalho com aplicação para a vida útil de cada um de nós.
Este tipo de aprendizagem procura que cada um adopte um método de trabalho eficaz, rendibilizando o tempo e o esforço e atingindo, desse modo, os melhores resultados sem desperdício de recursos.
Além dissso, prroporciona aos alunos e formandos experiências que estimula a sua autonomia, pois procura que cada um estabeleça as suas próprias metas e objectivos, gira o seu próprio trabalho e apresente os seus resultado.
Para essa autonomia, muito contribui a capacidade de enfrentar o processo de resolução de problemas que uma modalidade de aprendizagem deste género implica. Desenvolver a competência de tomar decisões, boas decisões, de forma autónoma, eis uma aprendizagem para toda a vida.
Trabalho de projecto: aprender fazendo
Este método baseia-se na aprendizagem se faz ao longo das diversas etapas em que se desenrola um trabalho de projecto. À medida que os obstáculos surgem, o aluno ou formando é obrigado a resolver os problemas e a encontrar soluções eficazes. Assim, de forma autónoma, vai desenvolvendo um método de trabalho racional, adaptado às circunstâncias e às suas próprias características.
As 6 etapas:
1 Identificar o tema
2 Procurar fontes de informação
3 Seleccionar os documentos
4 Retirar a informação dos documentos
5 Tratar a informação
6 Comunicar a informação
Esta nossa proposta de gestão do trabalho de pesquisa em seis etapas resulta do facto de nos termos baseado num modelo publicado por Yves Léveille e outros autores ( A pesquisa de informação EB2,3 e Secundário), disponibilizado pela Rede de Bibliotecas Escolares.
Há um outro modelo igualmente interessante, o famoso BIG 6, que também propõe seis etapas e que é muito semelhante ao que apresentamos. Aconselhamos, portanto, uma visita ao sítio que os autores deste modelo mantêm.
Outros modelos propõem 4 etapas e outras variantes ao tema. Mas todos, por uma via ou outra, acabam por tocar os elementos fundamentais de um trabalho de pesquisa.
1 Identificar o tema
Às vezes, o problema de escolher um tema resulta de uma imposição, outras vezes coloca-se-nos a obrigação de procurar um com o máximo de liberdade. Num caso ou noutro, cada tema, seja qual for, oferece-nos a possibilidade de explorar as suas diversas facetas. Este é o primeiro problema a ultrapassar: escolher o tema e a perspectiva a abordar. O resultado final do projecto depende em muito desta primeira decisão.
A primeira operação a fazer é delimitar o tema. Significa estabelecer os limites que nos vamos impôr de forma a que o nosso trabalho se torne possível de realizar tendo em conta os nossos recursos ou capacidades. Temas cujo âmbito seja demasiado extenso ou, pelo contrário, excessivamente restrito ou sem relevância, casos em que não temos acesso a bibliografia e outras fontes de informação básicas, ou em que não temos a tecnologia necessária ou a possibilidade de a manipular, são de evitar por completo.
Assim, devemos:
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compreender a natureza e extensão dos temas: perceber do que vamos tratar realmente e qual a relação com os outros domínios do conhecimento; determinar as balizas que delimitam o âmbito do nosso tema.
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escolher o ângulo de abordagem: um tema pode suscitar várias formas de ser estudado conforme a perspectiva que adoptarmos e convém determinar logo à partida um ou vários, sob pena de o trabalho se tornar demasiado complexo ou, pelo contrário, insignificante e não responder aos nossos objectivos iniciais.
A identificação do tema dependerá não só da “encomenda” que nos fizerem, mas também da noção que tivermos das nossas capacidades e limitações pessoais e dos recursos disponíveis, ou seja, do tempo, da tecnologia e da bibliografia.
Escolher um tema cujo tratamento exija muito tempo por ser muito extenso, ou de que não há livros ou outra fonte de informação, ou que necessite de uma tecnologia muito específica ou dispendiosa, é o caminho para o insucesso do projecto. Reparem que este insucesso, a acontecer, terá surgido logo por uma má decisão na primeira vez que tomaram uma.
Uma vez identificado o tema, verificar o que já se conhece:
Começar por consultar dicionários, a partir dos termos conhecidos. Elabora-se uma lista de palavras relacionadas as quais irão constituir um conjunto de palavras-chave.
Uma palavra-chave é uma palavra ou expressão representada em linguagem natural (aquela que usamos todos os dias), que é extraída durante a análise de um documento e que melhor caracteriza o seu conteúdo. Deve-se eliminar os sinónimos e os quase-sinónimos, assim como os termos polissémicos, as siglas, as abreviaturas e as palavras estrangeiras que têm equivalente na língua em que se esteja a escrever de forma a evitar “ruído” ou ambiguidades. Por exemplo, se estivermos a consultar um texto cujo assunto seja História da colonização do Brasil no século XVIII, pode-se extrair várias palavras-chave para registo: História do Brasil, Colonização do Brasil (ou só Colonização), História de Portugal, ou só Brasil. Ao iniciarmos a nossa investigação e ao elaborarmos uma lista de palavras-chave, o processo é o inverso: procuramos documentos por aqueles termos a fim de obtermos fontes para o nosso trabalho.
De seguida, com o objectivo de desenvolver uma visão geral sobre o tema, deveremos fazer umas leituras exploratórias. Podemos fazê-las em enciclopédias, em livros de carácter geral, em sítios da Internet cuja informação seja de qualidade, entre outros recursos. A ideia é começar a ter uma ideia mais precisa do tema, do seu âmbito, dos diversos ângulos de abordagem (facetas), dos assuntos com ele relacionados e de outros elementos introdutórios.
Nesta fase do trabalho de projecto, convém fazer um esboço do plano de pesquisa, incluíndo a elaboração de um calendário. Uma boa planificação do trabalho permite evitar desperdícios de recursos, nomeadamente o tão precioso tempo, assim como ajuda a gerir o calendário de forma a que se respeite os prazos estipulados.
2 Procurar fontes de informação
Qualquer trabalho de projecto baseia-se em INFORMAÇÃO, que estão contidos em documentos e que podem surgir sob diversas formas (escritos, icónicos, audiovisuais, multimédia) e suportes (livro, revista ou jornal, filme, programa informático, página da WEB, ou outro qualquer).
A informação é a matéria-prima sobre a qual iremos trabalhar. Qualquer conteúdo que seja produzido em resultado do nosso trabalho terá, obrigatoriamente, de assentar em informação devidamente documentada e acessível.
Nesta fase do trabalho pretende-se:
- Identificar o tipo de documentos que fornecem a informação de que necessitamos e que esteja de acordo com os nossos objectivos.
- Identificar as obras que tratam especificamente do tema. Estas obras dar-nos-ão uma visão geral do assunto.
Nesta fase, teremos de elaborar uma primeira lista dos recursos disponíveis, constituindo uma primeira versão da BIBLIOGRAFIA (ver neste blogue a página referente a bibliografia).
Na PESQUISA BIBLIOGRÁFICA deveremos ter em conta o seguinte:
Os documentos podem assumir diversos suportes: podem ser documentos impressos ou não impressos, podem ser electrónicos (CD-ROM), internet/web), podem ser imagens (formas icónicas) animadas (filmes) ou não (fotografias, estampas, …), podem estar contidas em material multimédia, etc. Uma obra que é publicada sob a forma de um e-book (ou se preferirem, e-livro), não vale menos do que a mesma obra publicada em livro convencional. Não é a forma que determina a qualidade da informação do documento, salvo uma ou outra excepção, é o conteúdo, ou melhor a riqueza e rigor da informação nele contida. Há até algumas fontes de informação que já só circulam na sua forma digital, como é o caso de muitas das revistas científicas.
Numa fase inicial do trabalho e como ponto de partida para uma pesquisa bibliográfica, é uma boa prática consultar as denominadas obras de referência: enciclopédias, dicionários, atlas, guias, entre outros. Trata-se de obras que servem para consulta rápida e que contêm informação apresentada de forma concisa, constituindo sínteses do conhecimento existente sobre as mais diversas temáticas. Fornecem rapidamente uma visão geral do tema e de assuntos relacionados, além de referências importantes (personagens, factos fundamentais, conceitos, localização espácio-temporal, relatos, etc.).
Nota sobre a Wikipédia:
Trata-se de uma enciclopédia e pode servir de obra de referência, mas temos de ter muito cuidado e muito sentido crítico no seu aproveitamento. O seu conteúdo é inserido por autores voluntários, anónimos e não controláveis. Logo, qualquer pessoa registada pode inserir textos e outro material e, mais ainda, um texto pode ser o resultado de contribuições de várias pessoas que não se conhecem. Vários testes efectuados à fiabilidade da informação lá contida têm demonstrado que, em geral, a qualidade não é muito baixa e, em alguns casos, é até bastante boa. Mas também já se assistiu a manobras de manipulação deliberada, em que indivíduos ou grupos de pressão se aproveitam para divulgar a sua versão muito particular dos factos. Esta grande oscilação da qualidade, dependendo da língua e dos temas, obriga-nos a ter necessidade de aplicar um forte sentido crítico ao que lemos e a não aceitar sem reservas toda e qualquer informação que colhamos da Wikipédia. Além disso, muitas vezes, a qualidade do português utilizado nos textos é má e é comum observar-se que muitos alunos copiam os textos sem corrigir sequer os erros clamorosos que enxameiam os artigos. Isto revela que muita gente não é prudente na consulta desta informação, aceitando sem reservas o que lá vem e sem confrontar os factos com outras fontes, o que pode ser grave para a qualidade final do trabalho.
Devemos aprender a utilizar as linguagens documentais e o catálogo da biblioteca.
Toda a informação que uma biblioteca contém deve ser tratada de forma que possa ser facilmente colocada à disposição do leitor. O instrumento que permite essa recuperação da informação é o catálogo.
Os leitores da biblioteca também deverão aprender a linguagem e técnica documentais de forma a poderem utilizar os serviços de forma autónoma e eficiente. Com a generalização dos meios informatizados, estes serviços começam a estar disponíveis através da WWW, isto é, ao alcance de cada um onde quer que esteja. Dominando os aspectos básicos da linguagem e da técnica documentais, cada um de nós poderá usufruir das vantagens destes instrumentos eficientemente.
A linguagem documental é usada para memorizar o conteúdo de um documento e permitir que este seja mais tarde recuperado. Por outras palavras, quando um documento é recebido numa biblioteca, é sujeito a uma descrição e estabelecem-se critérios de acesso para que seja facilmente localizado e usado quando um leitor necessitar dele.
Um leitor, quando chega a uma biblioteca, pode procurar um documento pelo título, pelo autor, pelo assunto, data, editor, ou outro elemento: são os pontos de acesso ao documento. Quando não há catalogação informatizada, o ponto de acesso faz-se normalmente pelo autor e pelo assunto ou, raramente, também pelo título. A velha tecnologia das fichas em cartão normalizadonão permite mais possibilidades por causa do custo. Com a informatização, as possibilidades alargam-se extraordinariamente, desde que o trabalho de inserção dos dados seja bem feita.
A descrição faz a caracterização do documento nos seus diversos elementos, entre os quais a autoria ou autorias (responsabilidade), título, edição (local, editor, data), descrição física, assunto ou assuntos nele tratados. Também nos diz onde está depositado (cota), indicando-nos o caminho para lá chegar. Quanto mais criteriosa for a descrição, melhor se torna a recuperação do documento.
No que respeita ao assunto ou assuntos tratados no documento, há duas formas de exprimir a informação contida no documento a partir do conteúdo intelectual aí contido: a indexação e a classificação.
Um exemplo de classificação é a Classificação Decimal Universal (C.D.U.), que é a usada nesta biblioteca para classificar e também para elaborar cotas (ver página neste blogue).
A indexação é feita a partir de listas de termos controlados em linguagem natural, ou seja, a cada documento aplica-se um ou vários termos que representem o tema ou temas aí tratados e em que a linguagem utilizada é aquela que usamos todos os dias (daí se chamar natural). Mas estes termos têm de ser controlados para evitar a utilização de sinónimos e outros casos.
Um dos instrumentos usados é o thesaurus, que é uma lista de autoridade de termos e que obedece a regras muito próprias e rigorosas. Traduz as noções expressas em linguagem natural numa linguagem artificial, a linguagem documental, em que se procura retirar toda a ambiguidade que um determinado termo possa conter.
Quando não se tem acesso a um instrumento tão sofisticado, costuma-se elaborar uma lista de autoridade menos rigorosa e de cariz algo precário.
Vejamos o exemplo clássico de “casamento” e “matrimónio”, que, não querendo dizer exactamente a mesma coisa, são usados normalmente como sinónimos. Se tivéssemos dois documentos na biblioteca sobre o tema e aplicássemos a um o termo “casamento” e a outro “matrimónio” um leitor que fizesse uma pesquisa por um dos termos só recuperava um documento e não os dois. Para evitar esta ambiguidade, a biblioteca deverá adoptar apenas um dos termos e utilizar sempre o mesmo critério, elaborando uma lista de termos a usar e indicando a forma como os respectivos sinónimos e quase-sinónimos deverão ser reconvertidos nos termos adoptados. Os thesaurus (ou tesauros), são listas de termos organizados por especialistas e tecnicamente mais evoluídos do que uma simples lista de termos controlados.
Dissemos acima que deveremos registar logo desde o início as palavras-chave referentes ao tema que estamos a tratar. Quando fazemos uma pesquisa por assunto ou tema (indexação ou classificação), é muito importante saber “fazer as perguntas” no catálogo ou no motor de busca e, para isso, podemos utilizar as palavras-chave.
Para se fazer uma pesquisa ainda mais eficientemente através do assunto, devemos associar as palavras-chave aos termos controlados. Estes termos são chamados cabeçalhos de assuntos, os quais consistem numa palavra ou conjunto de palavras representando o(s) assunto(s) contido(s) no documento mas sem ambiguidades. A grande diferença entre palavras-chave e cabeçalhos de assuntos é que os primeiros não são controlados e podem produzir ruído e os segundos são controlados e os resultados poderão ser mais fiáveis.
Esta operação vai permitir que os termos sirvam de ponto de acesso a partir do tema ou assunto. Chamamos aos termos controlados que servem para aceder ao documento “cabeçalho de assunto”.
Mais acima referimos que podemos estabelecer acesso ao documento de muitas formas. Uma delas é pelo assunto. Uma pesquisa pelos “cabeçalhos de assuntos” é, em princípio, mais eficiente no que respeita a consulta de catálogos de qualidade.
Nos motores de busca do tipo Google tanto faz, uma vez que nestes instrumentos não há controlo dos termos utilizados e, consequentemente, produz-se uma recuperação de qualidade relativamente baixa.
3 Seleccionar os documentos
Nesta etapa, o objectivo é de proceder a uma consulta rápida e metódica das obras antes identificadas ou dos sítios web assinalados.
Para uma maior eficácia e rapidez, convém utilizar a estrutura dos documentos para melhor identificar o seu conteúdo, recorrendo ao sumário, ao índice (ver nota abaixo), ao plano da obra, a um glossário, ou a outro elemento que dê informações de forma rápida sobre o conteúdo do documento.
Nota: o que é um sumário e o que é um índice?
Habitualmente denomina-se índice ao que, tecnicamente, dever-se-ia denominar “sumário”, embora também exista quem lhe atribua o nome “tábua de conteúdo” (um galicismo, parece-nos); o termo “índice de capítulos” é um termo que se atribuía antigamente ao sumário e que entretanto deveria ter caído em desuso, se tivessem disso avisado autores e editores, já que continua a ser habitual a confusão entre índice e sumário;
Sumário: “lista de títulos e subtítulos das partes de um documento, segundo a ordem pela qual se apresentam num texto e com indicação das páginas ou das colunas em que essas partes começam”, apresentando assim um resumo do conteúdo do documento.
Índice: documento secundário, isto é, cuja informação deriva de documentos originais, destina-se a localizar a informação contida num documento. Pode-se também elaborar um índice para vários documentos. Normalmente, um índice aparece-nos no fim dos documentos, como anexo, mas há casos em que constituem documentos independentes.
Como se organiza um índice: trata-se de uma lista de termos seleccionados a que se associa notações com a localização da referência ao termo nos documentos. O índice pode ser geral ou específico e, neste caso, pode conter apenas os termos de pessoas (onomástico), lugares, matérias, etc. Normalmente apresenta-se por ordem alfabética dos termos, mas também pode ser apresentada por ordem de frequência decrescente (índice hierárquico). Exemplo: se num índice surgir “abside, 27, 35, 48”, ou seja, o termo “abside” é acompanhado das notações 27, 35, 48, significa que o referido termo consta na obra em causa nas páginas 27, 35, 48.
Classificar os documentos seleccionados: devemos fazer uma escolha dos documentos que nos possam ser úteis de acordo com alguns critérios.
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Distinguir aqueles que são de interesse geral, daqueles que interessam especificamente para o nosso tema.
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Distinguir os que nos serão indispensáveis, por serem cruciais para a nossa investigação, dos que apenas nos fornecem informação relativamente pouco importante e, por isso, terão apenas uma importância acessória.
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Avaliar a actualidade da informação contida nas fontes consultadas. Nos dias de hoje a informação circula a uma velocidade estonteante e rapidamente se desactualiza perante novos dados, novas perspectivas, novas descobertas. Fazer todo um trabalho assente em informação desactualizada condena todos os nossos esforços ao fracasso, uma vez que resulta numa inutilidade e numa falsidade.
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Avaliar a pertinência da informação, ou seja, se ela se reporta exactamente ao assunto em questão, se é adequada ou apropriada ao tema.
No fim, como ponto da situação, deve-se fazer uma síntese da informação recolhida.
4 Retirar a informação dos documentos.
Nesta etapa, a partir da consulta dos documentos anteriormente seleccionados, extrai-se a informação de que necessitamos.
Para tal, devemos explorar as diferentes fontes de informação.
Neste ponto será importante chamar a atenção de que verificamos, muitas vezes, que os alunos limitam-se a copiar a informação de uma só fonte, normalmente o conteúdo de uma página do primeiro sítio da internet que lhes apareceu. Fazem copy/paste e está feito. Muitas vezes nem corrigem a grafia nem anulam os sinais da hiperligação. Este é um péssimo sinal de que o trabalho não tem qualidade e que a pesquisa foi negligente. Como trabalho vale zero!
Um bom trabalho de pesquisa implica uma procura relativamente exaustiva de diversas fontes de informação de forma a compormos uma visão completa e abrangente do tema que estamos a tratar. Por isso, limitarmo-nos a uma fonte, ou mesmo a duas ou três, é tornar o trabalho, no mínimo, muito incompleto e, por isso, irrelevante.
Mais uma vez, será fundamental seleccionar a informação pela sua pertinência, escolhendo a que for mais adequada ou mais apropriada ao tema. Este critério encerra alguns riscos, uma vez que o nosso conhecimento do assunto que estamos a pesquisar ainda está longe de estar consolidado e, por isso, há que reservar alguma prudência na sua selecção, nunca destruindo ou perdendo a referência da informação rejeitada.
Os documentos devem ser examinados de modo sistemático e analítico.
Modo sistemático quer dizer que a forma de abordar o material recolhido terá de ser feita com ordem e com método, de maneira a retirar das fontes as diversas contribuições ou os diferentes aspectos em que o tema se pode dividir. Um tema pode conter diversas facetas ou podemos nós encará-lo a partir de diferentes ângulos de abordagem e fazer um exame sistemático significa estudá-los a todos, cada um por sua vez.
Modo analítico quer dizer que se deverá fazer um estudo pormenorizado do material. Através da análise, distingue-se as diversas partes que dizem respeito ao tema tratado e estabelecem-se relações entre elas de maneira a compor uma ideia do conjunto.
Depois da análise sistemática da documentação, é tempo de fazer a síntese das ideias e dos factos. Trata-se de uma operação que depende da anterior: a partir do material analisado e decomposto nas várias partes, selecciona-se os aspectos mais relevantes e compõe-se um todo coerente.
Nesta fase é muito importante fazer uma avaliação quer da pertinência das informações recolhidas, verificando se são ou não relevantes para o tema e para os objectivos da pesquisa, quer para detectar informações em falta. Neste caso, deve-se aprofundar a pesquisa bibliográfica à procura dos lapsos encontrados e suprir as falhas.
5 Tratar a informação
Nesta fase de um trabalho, o investigador organiza, ordena, hierarquiza a informação. A informação recolhida tal como descrevemos no ponto quatro está em “estado bruto” e, assim, de nada nos serve. Para que nos seja útil, necessitamos de proceder ao seu tratamento, ou seja, apresentá-la de forma a ser compreendida.
Deve-se fazer uma leitura analítica de todas as informações, ou seja um estudo pormenorizado das diversas contribuições recolhidas e das relações que os diversos elementos encontrados têm entre si.
Para cada tipo de dados ter-se-á de escolher o método de análise apropriado. Para uma série de dados numéricos, aplicar-se-á um método estatístico, por exemplo.
Depois, impõe-se elaborar uma síntese das informações, através da qual se pode obter uma visão global do resultado da pesquisa. Para realizar a síntese, o investigador deve-se concentrar no essencial e preterir o acessório.
Uma visão global só fica completa se se conseguir estabelecer as relações entre os diferentes elementos de informação. De outro modo, os conteúdos apresentados mais não seriam do que um mero enunciado de dados ou de ideias sem relação entre si.
A mensagem formulada a partir da informação tratada deve ser clara e precisa. Para esse resultado concorre necessariamente a boa qualidade da informação recolhida, por um lado, mas também um bom processo de tratamento dos dados. Uma mensagem confusa e incoerente resulta, normalmente, de um trabalho de recolha pouco criterioso ou de um deficiente tratamento e má compreensão dos dados feitos pelo investigador.
Por fim, resta organizar o resultado da pesquisa. Nesta altura compara o plano do trabalho com os resultados obtidos, valida os aspectos conseguidos, corrige as lacunas e os lapsos, prepara a informação tratada para comunicar.
6 Comunicar a informação
Nesta etapa, teremos de comunicar uma mensagem que será recebida e compreendida. Dito assim parece tarefa fácil, mas temos reparado muitas vezes numa certa incapacidade neste domínio. Se não formos capazes de comunicar o resultado da nossa pesquisa, o trabalho desenvolvido até então é inútil. Gastou-se recursos sem que daí ninguém tirasse proveito.
Uma boa comunicação passa por estruturar bem a exposição, de acordo com o plano de pesquisa. Implica:
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um encadeamento da comunicação lógica,
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distinguir o essencial do acessório e
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não confundir factos, ideias, opiniões, percepções.
Não há nada de mais confrangedor do que assistir a uma comunicação mal estruturada, incoerente, em que o comunicador se perde em pormenores laterais, ou que erra em dados básicos que deveria dominar perfeitamente. Quando alguém dedica uma série de horas a investigar um assunto, espera-se que fique a conhecer pelo menos os aspectos fundamentais, ou que saiba o que é realmente importante, ou que se dê ao trabalho de ser convincente. Por vezes, pequenos erros revelam graves lacunas e uma preparação negligente. Outras vezes, é verdade, não passam de pequenos lapsos ou gralhas arreliantes. Reduzir ao máximo o recurso à improvisação é suficiente para diminuir bastante os erros, as imprecisões e as hesitações.
Respeitar as regras inerentes a qualquer comunicação: rigor e clareza.
“O aluno toma consciência e respeita as regras de diferente natureza, inerentes a qualquer comunicação. Quer a exposição seja curta ou longa, simples ou elaborada, com a ajuda de meios técnicos, existem regras a aplicar: rigor no uso da língua, clareza dos esquemas e das ilustrações, citação das fontes, encadeamento das ideias, títulos e sub-títulos, por exemplo. Cada estilo de exposição, oral, escrita, audiovisual, informática ou outros, implicam exigências particulares, as suas regras de arte. A preocupação do aluno é comunicar uma mensagem que será recebida e compreendida.”
Sobre a citação das fontes segundo as regras normalizadas, na página deste blogue sobre bibliografia dão-se os conceitos básicos, indicam-se critérios de normalização e explica-se como se deve fazer.
A citação da bibliografia é uma exigência fundamental num trabalho de pesquisa. A validação do seu conteúdo pelos outros só pode ser feita se as fontes de informação forem identificadas. A ausência de bibliografia ou uma bibliografia mal concebida é sinal de forte incompetência e, em ambientes académicos exigentes, leva mesmo à exclusão. Torna-se importante, portanto, adoptar hábitos de rigor neste capítulo.
Fazer uma referência indicando, por exemplo, “www.google.com”, como vemos muitas vezes, é um absurdo sem qualquer sentido. Era como se registássemos, no caso dos livros, “Biblioteca X” ou “Livraria Y”, conforme o estabelecimento onde fossemos fazer a nossa pesquisa.
Esta advertência dirige-se especialmente para os alunos do Ensino Secundário, cuja maioria pretende ir para uma Universidade e que necessita de saber estas noções básicas evitando futuras situações embaraçosas. A Equipa da Biblioteca da Escola Secundária da Mealhada está habilitada a prestar todos os esclarecimentos e a ajudar todos os alunos neste âmbito. Aproveitem!
Por fim, deve-se avaliar o trabalho: momento de reflexão e objectivação.
“A avaliação do trabalho pode ser de dois tipos: avaliação dirigida ou autoavaliação. Esta actividade constitui, para o aluno, um momento privilegiado de reflexão e objectivação. Ao fazer um regresso sistematizado a todo o processo, pode verificar as aprendizagens realizadas, relativamente ao método utilizado, às competências exercidas e às informações recolhidas. Permite-lhe tomar decisões para melhorar, numa próxima vez.”
CONSIDERAÇÕES FINAIS (embora talvez não menos importantes)
Definição do produto final
A tecnologia de que dispomos, permite-nos diversificar muito o modo de apresentação do produto final sem que isso implique gastos incomportáveis. Podemos usar recursos audiovisuais, texto escrito com ou sem ilustrações através de um vulgar processador de texto, fazer uma apresentação gráfica (PowerPoint ou equivalente), criação de uma página Web, blogue ou similar, ou fazer uma exposição à maneira clássica. Há muito por oonde escolher.
Os meios tecnológicos de que dispomos permitem-nos ir mais longe e convidar alunos e professores a entrarem no mundo do MULTIMÉDIA: usar diversos meios e suportes disponíveis a partir do conteúdo trabalhado. O mesmo material aplicado em vários meios e suportes para diferentes públicos e em diversos tempos.
Imaginemos: o resultado final de um trabalho de pesquisa é apresentado à turma através de uma apresentação em PPS, depois de o texto escrito ter sido verificado e validado pela professora da disciplina a partir de uma cópia entregue em DOC ou em PDF e colocado num blogue que a turma criou para conter os trabalhos feitos ao longo do ano, acompanhando o texto por um videoclip elaborado a propósito do tema pelo grupo, e que fica disponível para ser visto pelos pais, amigos ou outros interessados no tema. Diferentes públicos, diferentes tempos de visionamento, diferentes suportes e meios, o mesmo conteúdo.
Tomar notas ao longo do trabalho das informações relevantes:
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Notas de leitura e elementos das fontes de informação.
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Títulos das obras, URL da Internet, etc.
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Palavras-chave e termos de cabeçalhos para pesquisa.
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Apontamentos retirados da consulta preliminar das fontes.
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Registos bibliográficos das edições consultadas.
Verificamos muitas vezes que os alunos nas suas pesquisas não tomam nota dos sítios WWW ou das fontes bibliográficas que consultam e perdem essa informação. Mais tarde não são capazes de reencontrar esses elementos ou não conseguem executar uma citação capaz.
Um bom pesquisador tem sempre um bloco de notas à mão para tomar apontamentos. Aliás, é uma exigência em ambientes de investigação “a sério” a tomada de notas e a disponibilização desses apontamentos no caso de ser necessário verificar a qualidade e seriedade da investigação.
Papel da biblioteca:
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Fornece recursos
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Auxilia na pesquisa
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Aconselha
Bibliografia
FARIA, Maria Isabel e Pericão, Maria da Graça – Novo Dicionário do livro da escrita ao multimédia, Lisboa, Círculo de Leitores, 1999.
LÉVEILLE, Yves – A pesquisa de informação EB2,3 e Secundário . Lisboa: RBE, [2003] . <http://www.rbe.min-edu.pt/np4/58.html> 8 de Outubro de 2009













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