Já li

Esta página destina-se a divulgar textos sobre obras já lidas pelos membros da nossa Comunidade Escolar e está aberta à colaboração de todos que queiram escrever sobre as suas aventuras no mundo da literatura. Também podem escrever sobre cinema, espectáculos ou outras manifestações culturais.

O Monte dos Vendavais

de Emily Brontë

Emily Brontë foi uma romancista e poetisa que viveu no século XIX, na Inglaterra. Emily escrevia sob o seu pseudónimo masculino, designado Ellis Bell, e presenteou-nos com várias obras, entre as quais se encontra “O Monte dos Vendavais”, de título original Wuthering Heights.

Apesar da época em que foi escrito, “O Monte dos Vendavais” é um romance muito pouco convencional. Retrata a alvoroçada história de amor vivida entre Cathy e Heathcliff. Cathy é filha de um cavalheiro de boa família, é bonita e inteligente. Apesar disso, ela é deveras teimosa e bastante egoísta.

Já Heathcliff é de pele escura, como um cigano, foi adoptado pelo pai de Cathy e marginalizado desde a adopção pelo irmão desta. Assim, Heathcliff desenvolve uma personalidade vingativa e maldosa, acentuada quando Cathy decide casar com um cavalheiro rico, ao invés de o desposar. A jovem, apesar de amar Heathcliff, é ambiciosa e compreende que ao casar com ele estaria a descer de posição social.

Heathcliff, que também ama Cathy, não fica satisfeito e jura vingar-se de todos os que tornaram a sua vida miserável, incluindo o irmão da amada. Cathy morre prematuramente e começa a assombrar Heathcliff que, cego pela sede de vingança, se torna cada vez mais violento.

A obra conta-nos a história de amor entre dois jovens, que nem a morte conseguiu separar.

Ana Jesus, 10.º ano

“Orgulho e Preconceito”

de Jane Austen

Em “Orgulho e Preconceito” Jane Austen leva-nos numa viagem pelo tempo até ao século XVIII, onde as pessoas vivem seguindo estreitas regras sociais e a formalidade está presente em todas as relações.

Elisabeth Bennet vivia tranquilamente com as suas quatro irmãs e os seus país numa aldeia inglesa, até ao momento em que Mr. Bingley se muda para uma mansão lá existente. Mr. Bingley agrada a todos, pelas suas maneiras educadas e encantadoras, especialmente a Jane, a filha mais velha dos Bennet. Já Mr. Darcy, melhor amigo de Bingley e extremamente rico, é considerado orgulhoso e preconceituoso por todos, criando uma especial antipatia em Elisabeth.

Mr. Wickham é um militar bem-parecido que entra em cena com uma comovente história, onde conta como foi injustiçado por Mr. Darcy. Com este testemunho da maldade do carácter de Mr. Darcy, acentua-se em Elisabeth um sentimento de repugnância pelo senhor, recusando o seu pedido de casamento quando este lhe confessa o grande amor que nutre por ela e as suas tentativas fracassadas de reprimir esses sentimentos.

Ao longo de toda a história Elisabeth vai desvendando os segredos da misteriosa conduta de Darcy. Quando ele salva a sua irmã Lydia da desonra, quando ela foge com o agora já infame Wickham, Elisabeth reformula a sua opinião acerca dele, acabando por se apaixonar.

No final da narrativa Elisabeth e Darcy casam-se e vão viver para uma mansão. Uma bonita história em que o amor e o afecto sobrevivem ao orgulho e ao preconceito, conceitos tão presentes nos dias de hoje.

Ana Jesus, 9ºA, nº4

Se Isto é um Homem

Primo Levi

(disponível na Biblioteca)

Na noite de 13 de Dezembro de 1943, Primo Levi, um jovem químico membro da resistência, é detido pelas forças alemãs. Tendo confessado a sua ascendência judaica, é deportado para Auschwitz em Fevereiro do ano seguinte; aí permanecerá até finais de Janeiro de 1945, quando o campo é finalmente libertado.
Da experiência no campo nasce o escritor que neste livro relata, sem nunca ceder à tentação do melodrama e mantendo-se sempre dentro dos limites da mais rigorosa objectividade, a vida no Lager e a luta pela sobrevivência num meio em que o homem já nada conta.
Se Isto é um Homem tornou-se rapidamente um clássico da literatura italiana e é, sem qualquer dúvida, um dos livros mais importantes da vastíssima produção literária sobre as perseguições nazis aos judeus.

Vanessa Almeida, 10º B , nº 27

(para saber mais)

Trilogia Millenium

Stieg Larsson

(disponível na Biblioteca Municipal)

Sobre os personagens e a trama da trilogia Millenium, do sueco Stieg Larsson, já outros falaram.

O que me interessa para aqui é dar conta da forte impressão que me causou ler os dois livros (hei-de ler o terceiro um dia destes) cujas capas reproduzimos acima.

Trata-se de romances policiais que disfarçam denúncias de certos aspectos das sociedades modernas ocidentais, como sejam a falta de transparência do jornalismo económico, as manobras obscuras dos especuladores financeiros, os ódios familiares no seio dos grandes grupos industriais, o sistema de controlo da segurança social sobre as pessoas com problemas mentais ou de menores desprotegidos, por aí fora. Embora o essencial da narrativa se passe na Suécia do século XXI, muitas das questões são comuns aos países ocidentais, incluindo o nosso.

Ou seja, por detrás da trama policial, que nos prende nos dois extensos volumes e é credível ou verosímil (como queiram), há todo um conjunto de temas sobre a moderna sociedade sueca que são descritos e denunciados. A Suécia é relativamente pouco falada entre nós ultimamente, mas há duas ou três décadas era vista como o modelo de sociedade que muitos queriam imitar. Para além da Social-Democracia, do sistema de protecção social, modelo educativo, administração pública honesta, raparigas altas e loiras, dos Abba, dos magníficos e caros automóveis, havia os filmes do Ingmar Bergman. Das suas obras retínhamos os intermináveis monólogos ou calmíssimos diálogos em que numa língua, aparentemente, monocórdica, os actores discorriam gravemente sobre os seus profundos problemas existenciais.

Larsson dá-nos uma outra visão da sociedade sueca e é isso que considerámos mais divertido. Se a trama está ao nível de um bom thriller policial, mas não mais do que isso (já vimos tantos que é mais um), da sua visão da sociedade sueca retirámos a maior parte da motivação para devorar os dois livros em pouco tempo.

Aconselhamos, portanto, a leitura destas obras, de que não vai haver mais porque o autor morreu entretanto.

Poderá vir a ser publicado um quarto volume, deixado, ao que parece, quase concluído por Larsson, mas que levanta problemas no que respeita a herança dos direitos de autor e à autoria. Larsson vivia sem estar casado com uma senhora há uns 30 anos, mas quem ficou herdeiro dos direitos sobre a obra foram o pai e o irmão do autor, dada a legislação menos liberal daquele país nórdico no que respeita a uniões de facto. Entretanto há quem suspeite que os livros foram escritos a 4 mãos: além das duas de Larsson, haveria as da tal senhora com quem ele vivia. Quer dizer, depois da trilogia já publicada, poderá haver uma outra obra póstuma e ainda uma telenovela mexicana (ou da TVI) à volta das questões de herança e de autoria. Não vai haver falta de suspense.


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