C.D.U.

 

CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL

E

 TABELA ABREVIADA

guia cdu

tabela cdu 

guia para o estabelecimento de cotas

(versões em PDF para consulta e para imprimir)

A intenção inicial dos autores da CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL foi a de proceder à classificação de documentos, de acordo com o assunto (tema) ou assuntos que cada um deles desenvolve, ordenando-os de acordo com uma numeração decimal em classes e subclasses. Depois, passou a ser usada também, em certo tipo de bibliotecas, para compor as cotas dos documentos.

 CARACTERÍSTICAS

  • Trata-se de uma CLASSIFICAÇÃO porque atribui a um conjunto de algarismos (também, por vezes, pode conter letras e outros símbolos gráficos) um determinado tema ou assunto. Mas não o faz aleatoriamente. Tem uma lógica assente numa ordem decimal. 
  • Assenta no SISTEMA DECIMAL, isto é, vai da classe 0 à classe 9. Baseia-se no conceito de que todo o conhecimento pode ser dividido em 10 classes principais e que estas podem ser infinitamente divididas numa hierarquia decimal (tema, subtema, subtema do subtema, por aí fora, até ao assunto mais específico que se possa imaginar). 
  • É uma ORDENAÇÃO UNIVERSAL porque o resultado final deverá ser decifrado por toda agente, independentemente da língua ou sistema de escrita que dominem.

 

CLASSIFICAÇÃO e INDEXAÇÃO

A classificação segue os mesmos princípios da indexação, isto é, identifica o documento pelo assunto ou tema.

Em ambas, analisa-se um documento e verifica-se que tema ou temas trata. Procura-se atribuir um assunto a um documento de forma a dar a informação do conteúdo ao leitor que queira pesquisar por essa via.

A diferença está na linguagem utilizada: na indexação fá-lo através de linguagem natural, com o inconveniente de não ser legível a não ser por quem domine a língua ou o sistema de escrita em que está expressa.

É o desenvolvimento do conhecimento humano que determina a transformação da tabela de classificação, a qual tem sido objecto de modificações e melhoramentos ao longo dos anos. Por exemplo, a classe 4 já teve um tema atribuído mas considerou-se que o tema aí integrado poderia ser colocado numa outra classe e, desde então, está vazia à espera que surja a necessidade de passar a incluir um novo assunto ou que um velho tema se desenvolva de tal forma que haja necessidade de ocupar uma classe sozinho.

O objectivo quer da Indexação quer da Classificação é conseguir fornecer ao leitor uma forma de RECUPERAR, rápida e eficientemente, os documentos depositados num local e, consequentemente, a respectiva informação que contenham. Não interessa tanto a forma do documento, importa mais o assunto ou assuntos que aborda e a que queremos aceder.

AS COTAS

Quando se começou a generalizar a existência de bibliotecas de livre acesso, como é o caso da nossa, notou-se que também era possível utilizar esta tabela para arrumar os documentos nas estantes de forma lógica para o utilizador e para os serviços. A C.D.U. passou também a ser uma forma de fazer a cotação.

Significa isto que a Classificação Decimal Universal é, ao mesmo tempo, uma forma de classificar o tema ou temas de cada documento depositado na biblioteca e uma maneira de arrumar a colecção de forma lógica nas estantes.

AS 9 CLASSES NA BIBLIOTECA

Na Biblioteca da Escola Secundária de Mealhada, os livros ou monografias estão arrumados nas estantes de acordo com a tabela C.D.U.. Os documentos em outros suportes ou as revistas (ou periódicos), estão arrumados em estantes próprias, também arrumadas de acordo com a mesma tabela. 

Planta da Biblioteca com a arrumação do acervo de acordo com a tabela C.D.U..

NOTAÇÃO E EXEMPLOS

O conjunto de algarismos e outros símbolos em que cada referência surge como resultado do processo de classificação chama-se notação. Cada notação representa um tema.

Se o tema tem um âmbito geral bastará uma notação com um ou dois algarismos. Mas se o assunto é muito específico a notação poderá conter muitos algarismos e, por vezes, letras e outros símbolos.

Um exemplo:

Tema: romance de literatura portuguesa do século XX.

Notação CDU: 821.134.3-31″19″.

  • Literatura integra-se na classe 8 e é um seu subtema com a notação 82.
  • A seguir vem literatura portuguesa que é 134.3 (língua portuguesa expressa-se pelo auxiliar de língua =134.3). Temos, portanto, literatura portuguesa.
  • Depois ainda temos “romance” enquanto género literário, cujo auxiliar de género literário é o -31 (narrativa, romance; se fosse poesia seria -1 e se fosse teatro seria -2; contos é -34).
  • Por fim, a referência ao século: “19″ (um auxiliar de tempo).

 

Assim podemos obter um “comboio” de algarismos e símbolos aparentemente ininteligível, mas que, com o conhecimento da tabela de classificação e alguma prática, torna-se lógico e fácil de entender.

Outro exemplo:

Tema: desenvolvimento físico dos adolescentes.

  • Salvo melhor opinião, consideramos que este assunto será próprio da medicina. A medicina é um subtema vastíssimo integrado na classe 6. Esta classe 6 abrange um conjunto de assuntos muito diversos, a das denominadas “ciências aplicadas”. Inclui, todas as tecnologias e as engenharias, entre outros.
  • A medicina constitui uma sua subclasse, cuja notação é 61 (deve ler-se seis um e não sessenta e um).
  • Mas podemos e devemos não ficar por aqui. Esta subclasse é vastíssima e contém numerosíssimos subtemas. Temos, portanto, de ser mais específicos. Então, consultamos a tabela e descobrimos que podemos acrescentar à notação mais um algarismo, ficando 612, que se refere a “fisiologia, fisiologia humana e comparada”.
  • Mas ainda não estamos satisfeitos porque ainda não contempla exactamente o tema do livro. Temos necessidade de sermos ainda mais específicos: a notação 612.6 refere-se a “reprodução, crescimento e desenvolvimento” dentro do tema mais geral da fisiologia.
  • Para uma biblioteca como a nossa, julgamos que poderíamos ficar por aqui, porque não há muitos documentos sobre este tema e já dá para o identificar razoavelmente. No entanto, podemos especificar mais. A notação 612.66 refere-se à “influência da idade nos vários processos fisiológicos” e 612.661 refere-se à “puberdade”.

Se a nossa biblioteca fosse um serviço de uma Faculdade de Ciências, a notação teria muito mais algarismos porque reflectiria uma especificação do tema mais exaustiva.

Destas palavras depreende-se que uma maior especificação depende do tipo de colecção. Numa biblioteca especializada em medicina, a classificação deste tipo de documentos seria muito mais exaustiva.

Mas também depende do público que serve, ou melhor, do nível de exigência que o leitor espera de um serviço de documentação. Um público constituído por cientistas especializados terá, em princípio, expectativas mais elevadas na resposta dos serviços às suas pesquisas bibliográficas do que um público com características mais generalistas.

Por vezes, certas notações mais parecem “comboios” de algarismos, tal o grau de precisão que exibem.

 A colocação de um ponto após o terceiro algarismo é uma mera convenção.

PEQUENO ENQUADRAMENTO 

A C.D.U. tem sido revista pelo Instituto Internacional de Bibliografia (I.I.B.), de forma a harmonizar a tabela com a evolução do conhecimento humano. Este organismo foi fundado em 1895, através da iniciativa de dois belgas visionários, Paul Otlet e Henri La Fontaine (Prémio Nobel da Paz em 1913), que procuravam, assim, divulgar a ideia de um plano geral de classificação destinado a cobrir integralmente os diversos assuntos desenvolvidos pelo conhecimento humano e o conjunto das publicações. A sua estrutura hierarquizada, indo do geral para o particular, permite aceder rapidamente ao documento e à informação pesquisada.

A ambição daquelas personalidades era o de “arrumar” o conhecimento humano em temas e subtemas de forma lógica e universal, isto é, que fosse entendida por toda a gente em qualquer lugar e falando qualquer língua. Daí a tabela em números (linguagem universal) a que corresponde temas ou assuntos por todos conhecidos.

A versão da tabela com que trabalhamos na nossa biblioteca é uma tradução abreviada editada pela Biblioteca Nacional para as bibliotecas portuguesas. A Biblioteca Nacional é a autoridade bibliográfica nacional e, por isso, esta edição tem um certo valor normativo e é seguido pela generalidade das bibliotecas portuguesas.

Dessa edição, elaborámos uma versão simplificada da tabela C.D.U. para orientação dos serviços e, sobretudo, dos leitores. Juntamente com essa lista, explicamos como fazemos as cotas e certos critérios que assumimos e que “subvertem” um pouco a própria tabela oficial. Fizemo-lo por conveniência nossa mas também para resolver certas dificuldades práticas dos leitores.

A versão original, é editada pelo UDC Consortium. 

 

 


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